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Factores históricos da cegueira

A falta de compreensão e de oportunidades, assim como a negligência para com o cego, remonta aos primórdios de existência do Homem. Durante séculos, as pessoas cegas foram maltratadas e desprezadas pelo meio em que estavam inseridas, levando mesmo algumas sociedades a eliminá-las. O interesse e investimento na vida destas pessoas pela sociedade,a partir da compreensão de que estas poderiam ser educadas e viver independentemente, constatou-se à cerca de 200 anos.
Na China, a cegueira era comum entre aqueles que habitavam no deserto. Ganhavam a vida através da música exercitando o ouvido e a memória.
No Japão, a atitude para com as necessidades dos cegos era mais positiva, procurando-se fomentar a sua independência por meio da música e da poesia. Assistiu-se por isso a uma transformação de muitos cegos em contadores de histórias e historiadores que, divulgavam os grandes feitos do império e perpetuavam a tradição.
No Egipto,verificava-se uma predominância de cegos devido ao clima quente e à poeira.
Na Grécia, algumas pessoas cegas eram veneradas como profetas dado o apuramento dos outros sentidos.
Em Roma,alguns cegos alcançavam uma posição de renome como advogados, músicos e poetas. Contudo, a grande maioria vivia na miséria.
As referências biblicas são provavelmente aquelas que mais contribuem para diluir a imagem do cego, uma vez que a cegueira é sinónimo de escuridão e de pecado, e um símbolo de ignorância e falta de fé. Além disso, é considerada um castigo divino. A cura da cegueira, na Bíblia, está sempre associada à remissão e confissão dos pecados. Segundo alguns investigadores, este facto estará ligado ao pensamento da Antiguidade em relação à cegueira.
Em suma, a história, a literatura, os mitos e as lendas favorecem a falta de cultura e de abertura para com a questão da cegueira, pois transmitem uma ideia de incapacidade das pessoas cegas, quando na realidade esta deveria ser combatida e não tida em conta.

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